O Auxiliar de Prótese Dentária vai além do apoio técnico: ele é peça-chave para evitar riscos invisíveis e manter o laboratório seguro.

Este texto faz parte da série especial “10 episódios sobre o universo do Auxiliar de Prótese Dentária-APD”. Você está no Episódio 3. Se perdeu os anteriores, confira aqui: [Episódio 1 – Como um Auxiliar de Prótese Dentária salvou um molde] e [Porque a pia não é castigo, é formação técnica]. Fique ligado, porque nos próximos capítulos vamos falar sobre Técnico em silêncio é elogio?
Auxiliar de Prótese Dentária: o caos controlado que salva vidas (e modelos)
O Auxiliar de Prótese Dentária-APD atua em um ambiente cheio de desafios: no laboratório não chegam apenas modelos de gesso vindos dos consultórios. Junto com eles, muitas vezes vêm saliva, sangue e riscos invisíveis que não aparecem a olho nu, mas que podem comprometer a saúde de quem trabalha ali. É um verdadeiro combo microbiológico sem direito a devolução.
É por isso que o cuidado com higiene, prevenção de contaminações e cumprimento rigoroso dos protocolos de segurança é tão importante — e quem assume papel essencial nesse cenário, na maioria das vezes, é o Auxiliar de Prótese Dentária (APD). Mais do que apoiar nas tarefas do dia a dia, ele é o guardião das práticas que mantêm o laboratório funcionando de forma organizada e segura.
APD: fazendo uso dos EPIs
Os equipamentos de Proteção individual (EPIs) são como superpoderes: você só percebe o quanto eles salvam vidas quando os usa direito. No dia a dia do laboratório, o APD é o primeiro a vestir a “armadura” e o último a negligenciar a segurança.
- Luva: não é charme, é escudo contra fluidos biológicos.
- Máscara: não é frescura, é barreira contra aerossóis contaminados.
- Óculos de proteção: não é estilo nerd, é defesa contra respingos químicos e biológicos.
- Avental: não é figurino de cientista maluco, é filtro entre você e os microrganismos.
Muitos profissionais ainda acham que dá para “pular etapas”. O Auxiliar de Prótese Dentária sabe que, sem EPI, cada modelo se transforma em uma porta de entrada para doenças invisíveis.
Moral da história: usar EPI não é opcional, é sobrevivência — e cabe ao Auxiliar de Prótese Dentária e sobretudo ao Técnico em Prótese Dentária, reforçar isso todos os dias.
O uso de EPI é para todos no laboratório
O uso de EPI é fundamental para todos que trabalham em um laboratório de prótese dentária. Não é apenas uma exigência para o Auxiliar de Prótese Dentária, mas também para os Técnicos em Prótese Dentária, que muitas vezes são os proprietários dos laboratórios.
Eles, mais do que ninguém, devem estar atentos e seguir as normas, porque são responsáveis diretos pela segurança do ambiente e pelo exemplo que passam à equipe. Quando o dono do laboratório negligencia os EPIs, a mensagem é clara: “não é tão importante assim”. Mas quando ele lidera pelo exemplo, cria uma cultura de biossegurança forte e respeitada.
O uso do EPI é responsabilidade compartilhada. Do auxiliar ao técnico responsável, todos devem se proteger e proteger o próximo.
A missão da desinfecção correta
Depois de vestir os EPIs, vem a estrela da biossegurança: a desinfecção das peças que chegam ao laboratório. Modelos com sangue e saliva nunca podem ir direto para a bancada.
O Auxiliar de Prótese Dentária deve seguir e fiscalizar protocolos claros:
- Concentração certa: exagero de hipoclorito esfarela o modelo; pouco desinfetante não elimina microrganismos.
- Tempo adequado: não é mergulho olímpico de segundos, mas também não é banho eterno.
- Identificação dos frascos: nada de potes misteriosos estilo poção mágica.
Cada etapa é simples, mas exige disciplina. O Auxiliar de Prótese Dentária não pode improvisar. A desinfecção correta é o que separa um ambiente seguro de um laboratório cheio de riscos invisíveis.
Regra de ouro: sem desinfecção, o modelo não entra na área limpa.
E os números confirmam a gravidade do problema: um estudo realizado na Itália identificou que cerca de 60% dos objetos recebidos em laboratórios estavam contaminados e sem a desinfecção adequada.
O mesmo levantamento mostrou ainda que os técnicos em prótese dentária apresentavam risco maior de infecção por hepatite B em comparação à população geral (2,7% contra 0,76%). Ou seja, não se trata de exagero, mas de uma realidade documentada: falhar na desinfecção expõe profissionais a doenças sérias.
Quanto à contaminação…
Histórias não faltam em laboratórios:
- O modelo zumbi: saiu da solução todo deformado porque ficou tempo demais no desinfetante.
- O banho misterioso: frasco sem etiqueta usado sem saber o que continha.
- O EPI invisível: técnico que “esqueceu” a máscara e passou a semana tossindo pó de gesso.
E pasme: sabemos até de casos em que o pão de queijo congelado foi assado no forno de porcelana do laboratório. Além de ser um sacrilégio técnico (e quase gastronômico), isso gera riscos enormes: contaminação cruzada, resíduos de gordura na câmara e prejuízos a um equipamento caríssimo, que deveria ser usado apenas para a sinterização de cerâmicas odontológicas.
Cabe ao proprietário do laboratório de prótese dentária coibir essa prática e reforças as regras de biossegurança,
Depois da área limpa: riscos químicos e físicos também merecem atenção
Muita gente acha que, depois que os modelos passam pela área limpa e já estão desinfetados, o laboratório vira um “paraíso seguro”. Mas não é bem assim. Os riscos biológicos diminuem bastante, é verdade — porém, os riscos químicos e físicos continuam presentes e precisam ser levados a sério.
O APD também atua aqui, orientando e aplicando as medidas corretas de proteção.
- Riscos químicos: contato com resinas, solventes, monômeros e poeiras de gesso ou cerâmica que podem causar irritações na pele e problemas respiratórios.
- Riscos físicos: cortes com instrumentos afiados, estilhaços que voam durante o polimento de próteses e até acidentes por queda de peças ou ferramentas.
Por isso, os EPIs continuam indispensáveis mesmo na área limpa:
- Luvas específicas contra cortes para quando se lida com ferramentas afiadas.
- Óculos de proteção ou viseira para evitar que fragmentos atinjam os olhos durante ajustes e polimentos.
- Jaleco para evitar contato direto com substâncias químicas.
- Sapatos fechados para proteger contra quedas de instrumentos ou respingos.
Cada setor do laboratório pode ter riscos diferentes. A área de gesso, por exemplo, exige atenção redobrada com poeiras; já a área de polimento demanda proteção extra contra impacto e partículas. O Auxiliar de Prótese Dentária deve conhecer bem essas particularidades para aplicar o EPI certo em cada situação.
Moral da história: não existe “pausa para relaxar”. Se o risco biológico diminui, os riscos químicos e físicos assumem o protagonismo — e a proteção continua sendo prioridade.
O Uso de EPI’s não é frescura
O laboratório de prótese não é cozinha. Não tem pão de queijo na bancada, não tem cafezinho perto das peças e, muito menos, “petisco de saliva”. Existem áreas limpas, mas de maneira geral, é um ambiente potencialmente contaminado, e como tal deve ser tratado.
Portanto:
- Use EPIs sempre.
- Desinfete todas as peças que chegam.
- Separe áreas limpas e sujas.
- Valorize o papel do Auxiliar de Prótese Dentária, peça-chave na segurança de todo o processo.
Conclusão
No fim das contas, seguir corretamente os protocolos de proteção não é burocracia: é o caos controlado que salva vidas (e modelos). E o Auxiliar de Prótese Dentária é protagonista dessa missão.
Sua função vai muito além de auxiliar na parte técnica: ele é o guardião da saúde no laboratório, o elo que conecta teoria, prática e segurança. Sem ele, qualquer descuido pode se transformar em risco real.
A proteção no laboratório é coisa séria. E o Auxiliar de Prótese Dentária, junto com os Técnicos em Prótese Dentária, é quem garante que o ambiente continue seguro, organizado e confiável para todos..
Este foi o Episódio 3/10 da nossa série sobre o papel do Auxiliar de Prótese Dentária. Se você gostou, não deixe de ler os episódios anteriores e acompanhe os próximos — cada capítulo traz um aspecto essencial dessa profissão que faz a diferença dentro e fora do laboratório.
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Referências
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